Principais Problemas em Sistemas de CFTV - Parte II  CFTV  Eng° Marcelo Peres  16-Oct-2015 02:30  0  6587 leituras

Mais Erros Cometidos em Aplicações de CFTV
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Na primeira parte deste artigo foram analisados alguns dos principais problemas relacionados a implementação de sistemas de CFTV e nesta segunda parte será ampliada a análise destas situações pontuando outros pontos releventas que muitas vezes são deixados de lado ou não tem a devida atenção em relação a utilização de um sistema de segurança.

7. Lentes e campos visuais incorretos impedem a identificação ou reconhecimento

Escolher o campo visual das lentes é um ponto chave associado ao projeto técnico, pois a partir dele é definida a cobertura mais adequada das câmeras e sua relação com a qualidade de imagem esperada. Lentes com campos visuais muito abertos, ou seja, lentes com ângulos estendidos, fornecem cenas largas e uma quantidade muito grande de informações. Entretanto, essa cobertura ampla muitas vezes não fornece os detalhes de imagem necessários, deixando a desejar em termos de obtenção de informações relevantes, principalmente em maiores distâncias. Por outro lado, lentes com distância focal maiores, fornecem grandes distâncias e muitos detalhes, mas um campo visual (ângulo de visão) muito reduzido, ou seja, cenas muito estreitas e limitadas.

Muitas vezes o que ocorre na prática é a instalação da lente e câmera disponível e direcionamento para a cena necessária, adaptando a visualização ao que os equipamentos possibilitam, em vez de definir os equipamentos a partir do que é necessário monitorar.

Entretanto, atualmente estes problemas estão sendo reduzidos, principalmente com o menor custo e popularização de lentes varifocais, que permitem o ajuste do campo visual, conforme o campo visual necessário, dentro da faixa de distâncias focais da lente. Além disso, as câmeras IP megapixel fornecem naturalmente resoluções muito superiores as câmeras analógicas e IP de baixa resolução, melhorando muito a qualidade da imagem obtida.

Independentemente do tipo de sistema, o ideal é que os as lentes sejam calculadas ou estimadas de forma a poder fornecer o campo visual ou cena necessária de acordo com o local.

8. Iluminação inadequada leva a baixa qualidade de imagem noturna

A iluminação é outro ponto crítico na qualidade de um sistema de CFTV, pois dependendo das condições de iluminação e do tipo de câmera instalada não será possível obter imagens de qualidade e em muitos casos não será possível obter imagem nenhuma. Em circuito fechado de televisão a ausência de luz impede a formação da imagem no sensor, assim como o excesso de luz satura o sensor ofuscando o sensor, tornando a cena imagem muito clara demais, sem diferenças de brilho. Além disso, outra dificuldade é a diferença de intensidade de luz na mesma cena, ou excesso de luz de fundo na cena, como por exemplo, o brilho do sol através de uma porta ou janela, que ofusca uma cena interna.

Existem inúmeras opções de solução para os mais diversos tipos de problemas, porém isso depende da escolha dos equipamentos adequados, como nos exemplos a seguir:

  • O uso de câmeras com infravermelho ou iluminadores em cenas noturnas sem iluminação;
  • Aplicação de câmeras com maior sensibilidade (lux mais baixo) em condições de baixa iluminação;
  • Uso de câmeras com lentes auto-íris em cenas com grande variação de iluminação ao longo do dia e da noite;
  • Uso de câmeras com íris eletrônica ou electronic shutter em condições médias de variação de iluminação;
  • Uso de câmeras com recursos de compensação de brilho e equilíbrio de luz de fundo, como BLC, EDR, WDR, HLC, etc em situações com variação de iluminação dentro da mesma cena.

Entretanto estas escolhas e fatores novamente remetem as tarefas a serem dimensionadas na etapa de projeto do sistema.

9. Sensibilidade insuficiente das câmeras proporciona maus resultados

A sensibilidade da câmera, medida em Lux (lx) define o limite mínimo da capacidade de captação de imagens da câmera em condições de baixa iluminação, ou seja, quanto menor o lux da câmera, maior a sua sensibilidade. Porém a qualidade da imagem obtida, pode ter níveis mínimos aceitáveis diferentes de um fabricante para outro, dificultando a comparação. Outro ponto importante é o tipo de lente utilizado para a aferição, que pode melhorar o desempenho da câmera. Portanto devemos procurar o máximo de informações e especificações técnicas referentes a sensibilidade da câmera de forma a ter parâmetros de comparação mais completos.

A utilização de uma câmera com sensibilidade inadequada para uma determinada cena noturna muitas vezes é a causa de uma série de problemas, dos quais podemos citar:

  • Imagem escura, impedindo a visualização da cena;
  • Perda de detalhes importantes da cena, impedindo qualquer tipo de atividade de monitoramento;
  • Granulação da imagem devido ao ruído da indefinição do sensor de imagem;
  • Amplificação do ruído através de recursos de controle automático de ganho (AGC) da câmera;
  • Gravação por detecção de movimento, ocasionada pelo ruído de imagem e granulação;
  • Aumento da largura de banda na transmissão de rede devido a maior quantidade de dados gerada pelo ruído e granulação da cena.

Por outro lado, a iluminação por infravermelha (IR) em cenas parcialmente iluminadas nem sempre é a melhor solução, uma vez que o IR vai poderá não atuar pelo não acionamento da sua fotocélula ou ainda ser incapaz de gerar o resultado luminoso esperado na condição de baixa iluminação. Além disso, boa parte das câmeras com IR, principalmente as de baixo custo, são câmeras simples sem maiores recursos de processamento e com sensores de imagem simples, não oferecendo funções para adaptação em condições adversas de baixa iluminação.

10. Cabos e passagens incorretas prejudicam a transmissão de vídeo

Uma parcela significativa dos sistemas de CFTV implantados no Brasil apresenta problemas relacionados ao cabeamento, seja na utilização de cabos inadequados, de baixa qualidade, conectores incorretos, seja na baixa qualidade dos componentes, em passagem conjuntas com cabos de energia, interferências e ruídos, ausência de equalização de terra, distâncias máximas extrapoladas, cabo instalado em condições inadequadas, cabos internos instalados externamente, cabos esticados, emendas mal feitas, instalações inundadas, vãos de passagem aérea sem cabo mensageiro ou espinamento, etc. A lista de possibilidades de problemas é enorme, porém o resultado é um só: a baixa qualidade ou mesmo inexistência de imagem.

Não adianta investir em boas câmeras, lentes, processadores de vídeo e monitores, se a transmissão do sinal for deficitária, a imagem será prejudicada como um todo e não terá a qualidade esperada. E além do problema da qualidade de imagem, o custo da passagem do cabo muitas vezes é superior ao custo dos equipamentos, inviabilizando a repassagem do cabeamento tornando-se um processo muito mais oneroso ao cliente e desgastante para a empresa fornecedora.

A correta passagem de cabeamento para sistemas de CFTV deve envolver um bom tempo de estudo, desde o início do projeto, pois é neste momento que são definidas diversas questões importantes e praticamente definitivas em relação a outros componentes do sistema. Nessa etapa devem ser definidas a tecnologia de transmissão, passagens, distâncias, tipo de cabo, tipo de infraestrutura, tipo de encaminhamento, passagens, vãos, isolação, forma de alimentação, tipo de proteção, entre outras.

11. Falta de proteção e aterramento levam a queima de equipamentos

Estimativas dos órgãos de especializados indicam que o solo brasileiro é atingido em média por 100 milhões de raios por ano, sendo considerado o país do mundo com maior incidência de descargas atmosféricas. Isto ocorre por diversos fatores como localização geográfica tropical, clima, tipo de solo, dimensões continentais, entre outros. Mas o fato é que além do perigo eminente para as pessoas, grande parte dos sistemas eletrônicos são comumente afetados por descargas atmosféricas, que levam desde a geração de ruídos e interferências até a queima completa de equipamentos, gerando enormes prejuízos a indústrias, governos, empresas e residências.

Apesar de ser uma situação muito comum, não é uma tarefa fácil nem barata proteger plenamente os sistemas eletrônicos, uma vez que para melhorar as chances de proteção são necessários investimentos em sistemas eficientes de para-raios, dispositivos supressores de surtos e construções mais robustas de forma a tornar a construção mais protegida e fornecer um caminho de escoamento para as descargas atmosféricas. Além disso, é necessário um projeto técnico para o sistema de proteção contra descargas atmosféricas (SPDA) e também para o aterramento, de forma que os principais efeitos das descargas sejam minimizados.

Em sistemas de CFTV, assim como outros sistemas eletrônicos, estão ligados a redes externas, através da alimentação elétrica, linha telefônica, TV a cabo, além de seus cabos de transmissão de sinal, que dependendo da forma que foram instalados, podem se tornar condutores para as descargas atmosféricas. Existem no mercado diversos tipos de dispositivos protetores de surto (DPS), que são equipamentos destinados a escoar descargas elétricas ou inibir a condução para outros componentes eletrônicos mais frágeis. Normalmente são instalados nas entradas de energia dos equipamentos, mas também existem modelos para serem instalados diretamente nos cabos de sinal. Mas para ambos os tipos é imprescindível que o local possua um sistema de aterramento eficiente e equalizado.

O aterramento também é muito importante para evitar o efeito de laço de terra, onde devido à diferença de isolação e desequilíbrio entre dois aterramentos distantes ocorre a circulação de uma corrente elétrica na malha de cabos coaxiais, que causa interferência e perda da isolação contra descargas elétricas, prejudicando a qualidade do sinal transmitido e ocasionando a queima da câmera ou mesmo da entrada do processador de vídeo.

12. Falta de manutenção ocasiona problemas e perda de informações

Todo o sistema eletrônico necessita de manutenção, seja para limpeza, ajuste, alinhamento, reconfiguração ou simplesmente para verificar se tudo está funcionando como deveria, trata-se da manutenção.

Todos os componentes eletrônicos estão sujeitos aos efeitos das mais diversas ações situações e desgastes naturais causados pela poeira, umidade, sujeira, goteiras, pequenos insetos, roedores, gordura, poluição, chuva, calor, vento, entre outros elementos naturais e também os causados por vandalismo, sabotagem, ataques e acidentes. Dessa forma, é imprescindível o acompanhamento técnico para efetuar os devidos procedimentos de manutenção e limpeza, bem como os procedimentos de verificação e ajuste do sistema.

A manutenção preventiva é definida como manutenção periódica destinada a manter o sistema em funcionamento, prevenindo possíveis falhas nos sistemas e corrigindo os problemas antes que danos maiores ocorram, prejudicando o sistema em situações de risco ou causando problemas graves, que danifiquem parte do sistema.

Por outro lado, mais comum e não menos importante é a manutenção corretiva, que é o conserto ou retificação de falhas ocorridas em um determinado sistema. A manutenção corretiva muitas vezes é necessária pela falta de manutenção preventiva, pois o acumulo de reações, condições ambientais, desgaste e ações deliberadas, acabam trazendo algum tipo de prejuízo grave ao sistema e também a perda de imagens. Nesse ponto quando a necessidade da manutenção corretiva se torna evidente, normalmente temos a perda de informações importantes ou ainda a danificação ou queima de algum componente do sistema. Ocasionado um prejuízo ao desempenho do sistema e um maior custo para o conserto do sistema.

Existe ainda a manutenção preditiva, onde existem prazos controlados para verificação dos componentes mais voláteis do sistema.

A manutenção é imprescindível para que um sistema permaneça em pleno funcionamento e que mantenha um nível de qualidade de imagem adequado. Portanto, busque manter um plano de manutenção preventiva e corretiva, prevendo as ações a serem executadas de forma sistemática.

13. Falta de treinamento de profissionais e usuários leva a resultados falhos

Saber operar as principais funções de um sistema é o mínimo necessário para poder aproveitar os recursos de seu sistema de segurança. Da mesma forma, não existe nenhuma desculpa por não ter todas as pessoas responsáveis pelo sistema devidamente treinadas em relação a operação e seus recursos.

Em primeiro lugar a empresa instaladora deve conhecer plenamente o funcionamento, instalação e os recursos disponibilizados pelo sistema. O conhecimento do sistema é requisito base que o sistema seja devidamente instalado e a melhor forma de garantir que o sistema atenda a todas as necessidades em relação ao que foi contratado, garantindo os níveis mais altos possíveis de segurança.

É muito importante que no processo de venda, o orçamento da empresa contratada cubra a entrega adequada do sistema, incluindo o treinamento e operação assistida do cliente, seja uma equipe, ou mesmo o próprio cliente diretamente. Este treinamento deve englobar todas as operações e recursos a serem utilizados do sistema, incluindo, visualização, zoom, pesquisa, exportação e principalmente análise de desempenho.

Um cliente bem treinado tem um acesso rápido as informações, obtém melhores resultados do seu sistema, auxilia a manter o sistema operando de forma adequada e normalmente busca novos investimentos para melhorias na cobertura e desempenho, gerando novos negócios para o integrador. Além disso, também terá uma maior satisfação com a utilidade e benefícios de seu investimento.

14. Falta de Documentação prejudica Instaladores e Usuários

A documentação é dos itens mais negligenciados em sistemas de segurança. É muito comum os casos em que ao receber um pedido de manutenção um técnico se depara com um sistema mal instalado, cheio de problemas e sem nenhuma informação disponível sobre os equipamentos instalados. Muitas vezes ocorrem que trata-se um equipamento genérico sem marca e modelo, as senhas de programação não são conhecidas, não se tem informação sobre quando e de quem foi adquirido o sistema, não existe informação quanto a passagem dos cabos, número de série dos equipamentos, não existe um croqui básico dos componentes, entre outras informações importantes para a manutenção.
A ausência deste tipo de documentação é uma ocorrência comum envolvendo diversos sistemas de segurança. Assim, a manutenção se torna uma tarefa extremamente difícil, uma vez que não existem as informações requeridas e torna-se necessário verificar o sistema por inteiro.

Idealmente a documentação de um sistema de segurança se classifica em três categorias: projeto, instalação e serviço de campo. Além do projeto técnico, é recomendado que seja armazenado em local seguro e adequado as informações referentes ao processo de aquisição e instalação, incluindo o croqui do sistema, planta baixa, posicionamento de dispositivos, resumo da configuração, etc. Devem ser guardados todos os manuais dos equipamentos, bem como as respectivas notas fiscais que serão necessárias para o envio de equipamentos para a garantia, caso necessário. Da mesma forma, devem ser anotados todos os números de série dos equipamentos e também devem ser armazenadas as informações de configuração de dispositivos auxiliares como modems, roteadores, câmeras, switchs e demais dispositivos de rede.

Um cuidado importante em relação a programação e segurança e configurar senhas seguras e mantê-las seguras, substituindo senhas padrões de equipamentos e senhas fáceis ou de sequência como 1234 ou 1111, e mantendo uma rotina de modificação periódica.

Conclusão

Além dos problemas citados, existem inúmeras situações, eventos e problemas que podem prejudicar o desempenho e funcionamento do seu sistema de segurança. Porém é importante ter em mente que quanto maior for o treinamento e preparação para a solução destes problemas, menor serão os efeitos e consequências. Conhecer o funcionamento pleno do sistema e as necessidades em relação a manutenção e procedimento é o primeiro passo para manter a qualidade do equipamento. É muito comum que o sistema de segurança seja visto como um sistema totalmente autônomo, mas na realidade não é, ele depende de uma série de fatores e procedimentos para que tenha sua plena efetividade.

Para concluir este artigo podemos analisar com mais detalhes os problemas e situações descritas, e buscar formas de minimizar suas consequências, através de um estudo e projeto para um investimento adequado, consciente e planejado em relação ao que desejamos de nosso sistema de segurança, para hoje e também para o todo seu período de vida útil.

Engº Marcelo Peres (@mpperes)

mpperes@guiadocftv.com.br

Guia do CFTV

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