Era de se imaginar que as palestras do SXSW 2019** (South by Southwest), que começou no último dia 8, em Austin, nos Estados Unidos, fossem sobre alguns dos grandes avanços tecnológicos. Temas não faltam: inteligência artificial, computação quântica, edição genética, entre outros.. As duas primeiras estrelas do maior evento de criatividade e inovação do planeta, no entanto, dominaram o palco principal para falar de… emoções humanas.

Essa tendência tem sido clara desde a edição de 2018. Estamos em um momento único, em que o caminho das inovações tecnológicas começa a ficar mais evidente que boa parte do que vemos há décadas nos filmes de ficção vai mesmo acontecer. Robôs cada vez mais presentes em todas as áreas, máquinas mais inteligentes do que o homem e capazes de aprender e evoluir sozinhas, a eliminação de doenças e até carros voadores. É tudo questão de tempo. O maior desafio agora é sobre como vamos lidar com tudo isso.

“Estamos desesperados buscando humanização, enquanto estamos construindo uma sociedade cada vez mais desumanizada.” afirma Esther Perel durante o SXSW, que é terapeuta de casais e já tinha sido uma das atrações mais aplaudidas da edição passada ao falar sobre as relações conjugais modernas. Ela voltou este ano para falar sobre a importância nas relações interpessoais no trabalho e o quanto isso vem mudando por causa das mudanças nas nossas relações fora do trabalho.

“Nós nunca, na história, depositamos tanta expectativa no trabalho”, diz Perel. “Nós queremos que ele se adapte a nós, que nos traga reconhecimento, que esteja de acordo com o nosso propósito. Há alguns anos, as pessoas trabalhavam para colocar pão na mesa e não por razões emocionais.”

A palestrante de abertura foi a pesquisadora Brenè Brown, famosa por seus best-sellers sobre vulnerabilidade e pertencimento, e com várias obras traduzidas no Brasil. Em uma narrativa que levou muitas das 4 mil pessoas às lágrimas, Brown fez uma apaixonada defesa da necessidade dos seres humanos em se conectarem, de dialogarem e, principalmente, de terem a coragem de serem elas mesmas. “Seja você mesmo. É a única coisa que você vai fazer bem. Você será péssimo em todo o resto que tentar.” afirmou a especialista.

Na era da tecnologia, o próximo desafio parece ser mesmo os humanos.

Origem: Olhar Digital

Marcelo Peres

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