Videomonitoramento: de olho no crescimento, Genetec passa a limpo estratégia na América Latina

À frente dos negócios da fornecedora de sistemas para câmeras de monitoramento na América Latina, Denis Cotes, vice-presidente da Genetec para América Latina e Caribe fala sobre futuros desenvolvimento, o rompimento com a Intelbras e as oportunidades de crescimento no Brasil e em outros três países da região – México, Chile e Colômbia.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), este mercado registrou crescimento de 13%, superando expectativa prevista de 12% (+1%) em 2020. Apesar de um ano difícil economicamente, o segmento tornou-se essencial para colaborar no enfrentamento da pandemia. O crescimento acima da média reflete o aumento da adesão de câmeras termográficas, videomonitoramento e portarias remotas, de acordo com a entidade.

Mesmo com o avanço, o setor de segurança eletrônica ainda conta com uma base superior a 50% de câmeras analógicas e é justamente a migração para os equipamentos baseados no protocolo IP (Internet Protocol) que vem movimentando os negócios da Genetec, uma desenvolvedora canadense de software para câmeras IP e de aplicativos que vão além da segurança eletrônica. Um ano após o encerramento da parceria com a Intelbras, que a colocou em voo solo no Brasil, Denis Cotes (foto), vice-presidente da Genetec para América Latina e Caribe, falou com exclusividade ao IPNews sobre esta atualização tecnológica do mercado e sobre as oportunidades de negócios que a empresa vislumbra na América Latina. Veja abaixo.

Como está a migração do meio analógico para digital (IP) na área de monitoramento?

Se compararmos os últimos seis anos, agora está mais intenso. Não tenho números recentes, mas o analógico representa mais de 50% do mercado. O cliente da Genetec é mais IP agora. A câmera agora não é apenas para monitorar, ela ganhou recursos de marketing. Precisamos mudar a maneira de vender. Antes o discurso era o mesmo para todos os clientes, porque todos usavam câmera para monitorar. Hoje, por exemplo, o varejo quer fazer algo diferente, quer ver quantos homens e mulheres entraram na loja, qual a idade, e usar isto como ferramenta de marketing. Os aeroportos usam para fazer monitoramento de filas. Para medir o tempo de espera na imigração. As aplicações hoje são muito diferentes.

Pode-se dizer que estas ferramentas incorporaram recursos de inteligência artificial, big data analytics etc.? Em que nível estão estas integrações?

Conosco está completamente integrado agora. Se falarmos, por exemplo, sobre reconhecimento facial, a Genetec não tem este recurso, mas tem parceiros e entrega completamente integrado. E há outras soluções complemente integradas e que fazem parte do pacote de software vendido pela Genetec. Alguns são cobrados e outros estão incluídos no pacote básico. Vamos ter mais coisas integradas.

Ao longo deste ano? Qual é o roadmap?

Se vamos usar câmera IP, temos que comprar servidores. Esta era a regra, porque agora, temos uma integração na nuvem. Podemos misturar os dois – ter algo on-premise ou usar a nuvem. Isto facilita muito, porque um evento grande, por exemplo, que precise de 100 câmeras, normalmente teria que comprar servidores para suportar o projeto. Agora, conosco, todo o hardware desta estrutura pode estar na nuvem, algo que dá elasticidade ao nosso cliente, que pode contratar a infraestrutura apenas pelo período do evento. Também teremos muito mais aplicações móveis, porque percebemos que as pessoas querem fazer mais coisas remotamente. Estas são as duas mudanças principais. O desafio agora é o treinamento do nosso pessoal e dos nossos parceiros e clientes, porque a velocidade aumentou muito.

A Genetec tem uma estratégia definida para participar dos segmentos de internet das coisas (IoT) e 5G?

O 5G nos dará alternativa de fazer mais e mais aplicações em mobile. De forma geral, a maior contribuição que temos é de colocar mais coisas na nuvem r permitir o uso do computador e dos smartphones para acessar a todos os sistemas. Temos muito mais aplicações mobile agora do que tivemos no passado. Precisamos seguir isto. 5G nos ajuda a desenhar mais apões.

Em que medida estas novas tecnologias vão mudar o perfil da segurança privada?

Isto é a prioridade da Genetec. Pode definir a Genetec como empresa que se preocupa muito com cibersegurança. Não vamos vender o nosso software integrado a um hardware que não tenha o mesmo compromisso. Acreditamos que, a longo prazo, isto será um problema. Uma empresa pode perder até 30% do valor de mercado quando se envolve em um evento de cibersegurança. Por isto, a novas versões de software da Genetec já são compatíveis com LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) no Brasil, e outras legislações sobre este assunto nos demais países. Se o governo não impõe regras, há fornecedores que vão se aproveitar deste vácuo para vender algo mais barato, porque sem garantia de segurança cibernética.

Uma parcela da população no Brasil e no mundo considera o monitoramento uma violação de privacidade. Qual a sua opinião?

Eu acho que é verdade. Há empresas que vão usar videomonitoramento para violar a privacidade das pessoas. Por outro lado, as imagens captadas pelas câmeras são usadas para a identificação de crimes. Na China, o monitoramento é inclusive político. No sistema da Genetec nós omitimos a face das pessoas. Uma coisa que fizemos para proteger a privacidade das pessoas. As imagens só abertas em um litígio judicial.

Falando sobre negócio da Genetec no Brasil, um marco é o encerramento da parceria com a Intelbras. Você concorda?

Acho que a Intelbras é uma empresa muito profissional. Gostávamos muito. O que ocorreu ao final é que eles não concordam com as regras de cibersegurança da Genetec. Nas câmeras que eles trazem da China há dois problemas: o risco de ataque (cibersegurança); e a proteção de direitos humanos. Alguns fabricantes, além do reconhecimento facial, estão fazendo reconhecimento racial. Genetec é contra isto. Não é algo ruim para a Intelbras. Mas foi por isto que quebramos a relação. A ONVIF, um fórum global da indústria e cuja missão é fornecer e promover interfaces padronizadas para interoperabilidade efetiva de produtos de segurança física baseados em IP, barrou empresas por questões de violação dos direitos humanos. Não queremos ser associados a empresas que fazem isto. Se formos desvinculados do protocolo ONVIF, pode ser que não tenhamos os upgrades futuros. Tem o lado técnico e o lado social.

Vocês nomearam novos parceiros ou mudaram o modelo de negócios?

Estou negociando com outras empresas, mas não posso revelar nomes agora. Em paralelo a esta negociação, criamos internamente um grupo especial de profissionais para que vai conversar com o cliente final e entender o que eles esperam para o futuro. Depois disto, definiremos como vamos atuar no mercado.

A empresa registrou crescimento no Brasil a partir da pandemia?

Isto é interessante. A Genetec cresceu em 2020 se comparado a 2019. Não sei exatamente a razão, mas posso dizer que tivemos um pouco mais de aplicações. Por exemplo, em hospitais. Para eliminar contato com paciente, um deles colocou câmera na beira de leito para diminuir 80% o contato físico. Outro cliente usou o nosso software para calcular o número de pessoas que entra na cafeteria, e quando chega a 40% da lotação, ele trava a porta. Não sei se só isto explica o crescimento, porque quando olhamos no detalhe há outras ocorrências.

Quais são as perspectivas para 2021 e 2022?

O mercado vai continuar a crescer em 2021 e em 2022 provavelmente o ritmo será um pouco mais lento. Uma surpresa na economia brasileira pra mim foi que o número de IPOs em 2020 foi o mais alto dos últimos 15 anos. Se isto continuar, as empresas terão mais dinheiro para investimentos em sistemas. Intelbras fez IPO, Havan – que é um dos nossos clientes – também está dizendo que vai fazer IPO. Isto vai influenciar o crescimento.

Vocês pretendem investir no Brasil?

Eu comecei sozinho na América Latina há 06 anos e agora somos mais de 20 pessoas no escritório no Brasil. Há dois anos, a empresa decidiu que eu iria cuidar da região completamente. Eles querem fazer um ponto focal no Brasil para cuidar da região. Isto é bom porque teremos mais engenharia e suporte, tendo mais pessoas cuidando não só do Brasil, mas de toda a região.

Normalmente, o Brasil divide com o Mexico a liderança na AL. Isto se repete para a Genetec?

Sim. Também incluiria Chile e Colômbia.

Há uma carência grande mão de obra especializada em tecnologia. Vocês também sofrem com esta carência? Como vocês tem resolvido este problema?

Nós não tivemos problema para contratar pessoal técnico no Brasil, de engenharia. Mas temos 20 empregados. Se chegarmos a uma equipe de 500, talvez comecemos a sentir isto. Temos pessoas muito competentes no Brasil. Por conta disto, inclusive, resolveram me dar a AL, porque consegui contratar pessoas de boa qualidade no Brasil. O problema no Brasil é a burocracia. Os impostos e tudo mais.

origem: https://ipnews.com.br/seguranca-fisica-genetec-reve-estrategia-para-manter-crescimento/

Sirlei Madruga de Oliveira

Editora do Guia do CFTV

 sirlei@guiadocftv.com.br

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