Pesquisadores da Fiocruz desenvolvem método para monitorar de forma mais rápida variantes da Covid-19

Pesquisadores da Fiocruz desenvolvem método para monitorar de forma mais rápida variantes da Covid-19

Resultados surgem em cinco dias úteis enquanto o sequenciamento completo do genoma pode levar até 20 dias, segundo cientistas do Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz.

Pesquisadores do Instituto Aggeu Magalhães da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-PE) desenvolveram uma metodologia para tornar o monitoramento das variantes do novo coronavírus mais simples, ágil e barato, ajudando no combate à Covid-19.

Eles se basearam em uma técnica conhecida de sequenciamento genético, o sequenciamento de Sanger, que não faz o estudo completo do genoma, mas de um fragmento específico do DNA.

O estudo está publicado em uma plataforma científica internacional à disposição de pesquisadores e gestores de saúde, que funciona como um atalho para compartilhar dados diante da gravidade da pandemia.

“Acho que esse é o primeiro momento na minha carreira que produzimos os dados na bancada do laboratório e, em menos de 24 horas, a gente consegue compartilhar isso com os gestores de saúde. Hoje, a gente produz os dados científicos e automaticamente já divide com os gestores para a tomada de decisão”, afirmou o doutor em ciências Marcelo Paiva.

O método analisa um trecho específico do genoma onde as mutações acontecem com mais frequência. É como se estivesse resumido, em um capítulo só, um livro inteiro. No caso, o resumo seria o fragmento do DNA.

“A região de spike, também chamada de espícula do vírus, é uma das responsáveis da ligação do vírus com as células para que esse vírus consiga entrar. É lá que acontecem essas mudanças e consequentemente essa metodologia foca somente nesse ponto, somente nessas mudanças”, explicou o doutor em ciências Marcelo Paiva.

Segundo o doutor em ciências Marcelo Paiva, dados científicos são automaticamente divididos com gestores de saúde para tomada de decisão — Foto: Reprodução/TV GloboSegundo o doutor em ciências Marcelo Paiva, dados científicos são automaticamente divididos com gestores de saúde para tomada de decisão — Foto: Reprodução/TV Globo

Os resultados surgem de forma mais rápida, em cinco dias úteis, enquanto o sequenciamento completo do genoma poderia levar até 20 dias. Não são necessários equipamentos sofisticados de laboratório e o custo é mais reduzido.

“São utilizados equipamentos com custo mais baixo do que o do sequenciamento do genoma completo. Então a metodologia utilizada é conhecida há mais tempo, o custo é mais baixo e, com isso, a gente consegue processar uma quantidade bem maior de amostras por vez”, disse a doutora em biociências e biotecnologia em saúde Viviane Carvalho

Doutora em biociências e biotecnologia em saúde Viviane Carvalho participou da pesquisa — Foto: Reprodução/TV GloboDoutora em biociências e biotecnologia em saúde Viviane Carvalho participou da pesquisa — Foto: Reprodução/TV Globo

O grupo é formado por oito pesquisadores. Assim que as novas variantes do novo coronavírus começaram a surgir, no fim de 2020, os cientistas que fazem parte da rede de monitoramento genômico da Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz aceleraram as pesquisas.

“São as chamadas variantes de preocupação ou variantes de interesse. Analisando esse fragmento menor do genoma viral, a gente já consegue distinguir essas variantes entre si e comparando também àquelas linhagens mais antigas que já haviam no Brasil antes”, afirmou Matheus.

De acordo com o biomédico Matheus Bezerra, o genoma completo tem 29 mil bases e o que está sequenciando tem torno de 800 bases — Foto: Reprodução/TV GloboDe acordo com o biomédico Matheus Bezerra, o genoma completo tem 29 mil bases e o que está sequenciando tem torno de 800 bases — Foto: Reprodução/TV Globo

A nova metodologia é considerada uma aliada para os pesquisadores que têm pressa para identificar as novas variantes do coronavírus que estão se propagando em pouco tempo, em grande proporção e com efeitos que ainda não são totalmente conhecidos. Monitorar essas variantes é essencial para combater a doença, adaptar as vacinas e os testes de diagnóstico.

“A gente está começando a aplicar isso na nossa instituição. A ideia é que outros laboratórios também sigam métodos nesse sentido e a gente consiga expandir essa vigilância epidemiológica sobre as variantes do novo coronavírus”, explicou Matheus.

origem: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2021/04/08/pesquisadores-da-fiocruz-desenvolvem-metodo-para-monitorar-de-forma-mais-rapida-variantes-da-covid-19.ghtml

Sirlei Madruga de Oliveira

Editora do Guia do CFTV

 sirlei@guiadocftv.com.br

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