Como a IA e a transformação digital criam novas profissões

No mercado, quando atrelamos tecnologia e otimização de processo, há uma grande discussão sobre máquinas substituindo funções exercidas por humanos. Nessa abordagem, apenas um recorte do futuro é colocado em evidência, portanto, é necessário complementar o outro lado: a partir da automatização de atividades repetitivas, quais serão as funções que pessoas irão exercer nesse novo ecossistema do trabalho?

Já temos alguns indícios que respondem a esses questionamentos. Mas que também apontam para quais itens precisam ficar no radar dos profissionais que desejam surfar na onda promovida pela Transformação Digital, e mais especificamente, nas atividades que são impactadas pela Inteligência Artificial.

Novas oportunidades

Mariana é comunicóloga de formação, apesar de ter sido impulsionada a cursar jornalismo pelo ideal de falar sobre o mundo atual, quase uma escritora da atualidade. Ao entrar no mercado percebeu que muitos profissionais atuam em categorias paralelas à comunicação (em sua maioria, na área de assessoria de imprensa). Ainda no eixo de comunicação empresarial, encontrou algumas vagas com o desafio de escrever para interfaces web, apps e conversacionais, como chatbots.

Ao chegar nesse último passo percebeu que, além de conseguir um emprego, entrou em uma área que está em uma constante crescente, situação bem diferente das redações que são assombradas pelos “passaralhos” e demissões em massa por conta da falta de audiência das revistas, jornais e outros canais. Somado a isso, a vaga oferece salários compatíveis ou maiores às funções padrão e traz consigo um ambiente descontraído, inovador e flexível, fruto da cultura de startup.

Essa é uma história que descreve muitos profissionais contratados por empresas da área de TI para gerenciar demandas de chatbots e outras interfaces, e para suprir demandas relacionadas a conteúdo, pesquisa e relacionamento. Esses profissionais descritos como UX Writer (UX do inglês User Experience), professores de robô, treinadores de máquina ou designers conversacionais assumem o desafio de criar conteúdos que ajudam os usuários a alcançar seus objetivos e acabam sendo exemplos de como a transformação digital modifica jornadas profissionais que estão consolidadas por anos. Afinal, para suprir as demandas das novas profissões desse mercado efervescente (tão recentes que ainda não possuem um nome consolidado), a formação acadêmica não pode ser o único critério.

Com isso, chegamos a um novo ponto: a tecnologia traz uma transformação constante, e a partir dessa quarta evolução as contratações serão pautadas cada vez mais pelos skills dos profissionais e seu poder de adaptabilidade:

  • Um revisor do mercado editorial tem um vasto vocabulário para escrever as melhores fraseologias e conhece muitas palavras. A partir disso, no universo da tecnologia esse profissional será extremamente assertivo nas escolhas dos melhores termos para os botões dos sites e apps (você já imaginou como seria navegar num site só com botões e cores?), ou na escrita de conteúdo para um chatbot. E até mesmo numa análise coerente de itens disponibilizados por um banco de dados, como informações que retornam de uma API;
  • Profissionais que trabalharam por anos na área de qualidade de call center e outras células de atendimento possuem o repertório de relacionamento com o cliente e a vivência de prestação de serviço B2B. Cenário esse que equivale ao treinamento de máquinas que realizam um atendimento humanizado via assistentes virtuais, seja em voz ou em texto;
  • Um analista financeiro tem um amplo conhecimento em números e a habilidade de lidar com grande massa de dados. Logo, é possível ser muito perspicaz nas interpretações e na consolidação das informações disponibilizadas pelos softwares e os diversos dados de canais digitais (seja um atendimento, relatório sobre o faturamento, acessos de um e-commerce ou a jornada dos clientes na estrutura omnichannel);
  • Um advogado possui a habilidade de mediar cenários que envolvem impasses humanos com empresas. Assim, pode ser um ótimo embaixador para destravar impasses promovidos pela relação entre empresas e clientes. E nisso podemos incluir desde os casos dos sites de reclamações à propostas de melhores experiências nos diversos pontos de contato com o consumidor, conceitos que fazem parte de Customer Experience.

Origem: Canaltech

Sirlei Madruga de Oliveira

sirlei@guiadocftv.com.br

Guia do CFTV

 

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