Setor de segurança tem alta de 40% nas vendas

Medo da violência provoca aumento nos negócios de aparelhos, como sistemas de gravação de imagens e cercas elétricas

Medo da violência. Essa é a razão que fez a advogada Jéssica Braga Eleutério Thomazini colocar equipamentos de segurança em sua casa, em Bauru, há cerca de quatro meses. Ela gastou por volta de R$ 4 mil para implantar cerca elétrica, alarme monitorado, câmeras e portão eletrônico com refletores.

“Vim de Araçatuba para cá faz seis meses. Lá, eu tinha vários equipamentos de segurança. Como Bauru é mais perigosa, eu e meu marido resolvemos instalá-los aqui também”, revela.

O mesmo medo que fez Jéssica adquirir tais aparelhos é o que faz aumentar o volume dos negócios das empresas de segurança.

Ronaldo Gaspar, gerente comercial da Ceintel, especializada no assunto, afirma que, nos últimos dois anos, as vendas ampliaram-se em aproximadamente 30%.

“As pessoas ficam assustadas com as freqüentes notícias de seqüestros, assaltos e mortes. E os ataques do PCC, no ano passado, ajudaram a elevar o movimento no setor”, comenta.

Segundo ele, os períodos de férias escolares, em julho e no final do ano, também contribuem para o aquecimento das vendas.

É uma forma das pessoas que viajam, portanto, ausentam-se de suas residências, sentirem-se mais sossegadas.

O equipamento mais comprado atualmente, diz Gaspar, é o circuito de TV. Dependendo do tamanho do imóvel, o gasto para obtê-lo será de R$ 500 a R$ 2 mil.

“50% das vendas vêm desses aparelhos”, comenta.

A cerca elétrica ocupa o segundo lugar no ranking dos itens mais requisitados e responde por algo em torno de 30% dos negócios. O valor depende da metragem e fica entre R$ 400 e R$ 1 mil.

Na terceira colocação, com 20%, estão os sistemas de alarme, que custam de R$ 500 a R$ 2 mil. A taxa de monitoramento vai de R$ 40 a R$ 50.

Segundo a Abese (Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança), o mercado de segurança eletrônica cresceu, em média, 12,75% nos últimos oito anos. Somente em 2006, a índice foi de 14%. O faturamento do setor bateu em US$ 1,02 bilhão, informa a entidade.

Distribuidor também confirma boa fase
Devanir Camargo, sócio de SegBauru, distribuidora de equipamentos de segurança na cidade, fornece aparelhos para diversas firmas especializadas de Bauru. Segundo ele, existem cerca de 50 empresas que trabalham nesse ramo no município.

Camargo é categórico e afirma que a demanda cresceu expressivamente nos últimos dois anos.

“A venda de sistemas de gravação digital de imagens aumentou de 30% a 40%”, relata. Porém, a comercialização de alarmes teve alta menor, de apenas 10%.

“Muitas pessoas estão trocando os alarmes por câmeras”, explica.

O dono da distribuidora não sabe se a alta nos negócios decorre do aumento da violência ou dos valores dos produtos, “que estão bem mais acessíveis”.

“Hoje, uma câmera custa de 30% a 40% do valor de três anos atrás”, comenta.

Apesar dessa avaliação, episódios como os ataques do PCC no ano passado, que chamaram muita atenção, ajudam a ampliar as vendas, entende Camargo.

Movimento deve ser 12% maior no ano
O mercado de segurança eletrônica vai crescer cerca de 12% em 2007.

A expectativa é de Oswaldo Oggiam, diretor de comunicação da Abese.

“É uma taxa alta”, avalia.

Uma das justificativas está no avanço da cultura da prevenção, “que, cada vez mais, está se ampliando, embora a passos lentos”.

Para ele, o ditado popular de que “não adianta colocar a tranca após a porta arrombada” ganha corpo.

“As pessoas estão colocando antes”, brinca.

Em sua opinião, é uma armadilha entrar no jogo do “quanto pior, melhor”, ou seja, quanto mais violência, as empresas de segurança mais vão ganhar.

Se a pessoas passarem a desacreditar do Estado, vão pensar que sequer adianta adquirir equipamentos de segurança. Elas vão refletir e concluir: se atacam a polícia, que é aparelhada, qual a utilidade dos sistemas de segurança de casa, diz.

Apesar dessa análise, Oggiam comenta que, após ataques como os do PCC, há incremento das vendas. Quem estava em dúvida entre comprar ou não, tem o impulso que faltava para a aquisição.

Assim como Devanir Camargo, da Seg Bauru, Oggiam aponta como um dos prováveis fatores para o aumento das vendas a redução dos preços dos produtos.

“Antes, alguns custavam cinco ou seis vezes mais do que hoje”, frisa.

Conforme a Abese, com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há aproximadamente “420 mil imóveis no país monitorados por sistemas eletrônicos de alarmes, o que corresponde a 7% de um total de seis milhões de imóveis com possibilidade de receberem sistemas de alarmes monitorados”.

A região Sudeste tem 60% do mercado nacional, seguida pelo Sul, com 18%.

Feira do ramo ocorre neste mês
A 10ª Exposec (Feira Internacional de Segurança Eletrônica, Empresarial e Patrimonial) acontecerá de 29 a 31 de maio, no Centro de Exposições Imigrantes, na rodovia dos Imigrantes, km 1,5, em São Paulo. A entrada é gratuita aos interessados.

Seus organizadores prometem apresentar as maiores novidades do ramo, com expositores do Brasil, Israel, China, Japão, Estados Unidos, Itália, Inglaterra, México, entre outros países.

Na edição anterior, de 2006, o público foi recorde, com 24 mil pessoas.

Foram movimentados R$ 90 milhões em negócios diretos. Além disso, projeções indicaram o fechamento de contratos que totalizaram R$ 680 milhões nos seis meses seguintes à feira.

O organização do evento, formada pelo grupo Cipa em parceria com a Abese, esperam contar com 400 expositores. Mais informações: www.exposec.tmp.br.

Evento discutirá tecnologia
Paralelamente à 10ª Exposec, acontece o 3º Congresso Internacional de Segurança, no Centro de Convenções Imigrantes.

Também organizado pela Abese, o evento promoverá 12 palestras durante a feira, que tratarão do tema a “Inteligência competitiva e tecnológica em sistemas eletrônicos de segurança”.

O congresso será aberto por Ronaldo Pena, professor da USP (Universidade de São Paulo), que discorrerá sobre os serviços e a necessidade de capacitação continuada.

Na seqüência, o capitão do Corpo de Bombeiros, Carlos Cotta Rodrigues, fará a palestra “Incêndio – Integração de software e hardware”.

Depois, outros dez especialistas abordarão questões relacionadas à segurança.

O último, no dia 31, será João Carlos Fagundes, gerente da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), que discutirá o monitoramento urbano.

O segmento

* Quantidade de empresas
Existem no Brasil cerca de 8 mil empresas no segmento de sistemas eletrônicos de segurança

* Número de empregos
As empresas de sistemas de eletrônicos de segurança empregam no país:

– por volta de 80 mil diretamente

– cerca de 800 mil indiretamente

* Faturamento no país
As empresas de segurança eletrônica faturaram:

– 2005: em torno de US$ 900 milhões

– 2006: cerca de US$ 1,02 bilhão

* Divisão
As empresas de segurança eletrônica dividem-se em:

– revendedores e instaladores: 49%

– monitoradores: 30%

– distribuidores: 12%

– fabricantes: 9%

* Crescimento
O mercado de segurança eletrônica cresceu no país:

2006: 14%

2005: 6%

2004: 10%

Origem: Abese

Fonte: http://www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=87&mat=77739

Eng° Marcelo Peres

Eng° Eletricista Enfase em Eletrônica e TI, Técnico em Eletrônica, Consultor de Tecnologia, Projetista, Supervisor Técnico, Instrutor e Palestrante de Sistemas de Segurança, Segurança, TI, Sem Fio, Usuário Linux.

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