Big Brother – Aspectos Técnicos do Programa

Aspectos Técnicos

Um primeiro aspecto é a análise dos equipamentos e tecnologias utilizadas para monitoramento dos participantes, que são equipamentos top de linha e possuem excelente qualidade de imagem e funcionamento. Infelizmente o enfoque do programa são as pessoas e suas atitudes, e os equipamentos e tecnologias em si são deixados em segundo plano, mesmo assim, vemos muitas coisas legais que os equipamentos utilizados proporcionam. São câmeras IP com PTZ ou seja movimentação vertical e horizontal com zoom, que permitem que vejamos as imagens em praticamente todos os ângulos possíveis dentro da casa. Além disso algumas câmeras possuem sensibilidade para captação de imagens de ótima qualidade em total escuridão, utilizando algum filtro infravermelho ou outro sistema que aparentemente não depende canhões de infra-vermelho. Com certeza são câmeras IP megapixel e provavelmente devem estar em uma rede ou mais de uma rede Gigabit Ethernet, para ter a capacidade de gerenciar a banda ocupada por todas as câmeras visíveis e escondidas instaladas na casa. Porque afirmo que são câmeras IP? Simplesmente pela resolução proporcionada e pelos recursos e capacidades das câmeras, que por melhor que fosse a câmera não seria possível com uma câmera de Vídeo Composto (Saída de vídeo analógica). Ou ainda poderiam ser câmeras profissionais de broadcast.

Sendo câmeras megapixel, as mesmas podem possuir resoluções de 1.3, 2.0 ou até mesmo 16Mpixels, o que proporciona imagens de excelente qualidade, mas provavelmente a resolução deve estar entre 1 e 2 MPixels.

Big Brother 1984
Big Brother 1984

As câmeras possuem lentes integradas, também de ótima qualidade, que possuem uma velocidade ótica que acompanha a qualidade de imagem das câmeras aparentemente sem perdas e com um bom controle de intensidade de iluminação. As câmeras externas provavelmente estão equipadas com de lentes auto-íris, enquanto o processamento das câmeras internas deve ser responsável pelo controle eletrônico de nível de iluminação ou seja a função electronic shutter que controla o tempo de exposição do sensor de imagem.

Neste ponto podemos afirmar que as câmeras na realidade não são câmeras de CFTV e sim câmeras especializadas de Broadcast, com funções bem mais avançadas e muito mais recursos do que as que encontramos nos sistema de CFTV convencionais, e com um custo obviamente muito maior.

Segundo o site da Globo, nesta edição, foi montado um sistema misto, com câmeras fixas e móveis, totalizando 37 câmeras que ficarão ligadas 24 horas por dia, contra 27 utilizadas na edição anterior. Serão disponibilizadas aos assinantes da globo.com terão acesso a 7 câmeras exclusivas, 2 a mais que edição anterior, sendo que as novas câmeras monitoram a banheira de hidro-massagem e a academia. Além disso o número de câmeras infra-vermelho espalhadas pela casa aumentou de seis para oito. O site afirma também que são ao todo aproximadamente 400 funcionários necessários para manter o programa no ar durante os 3 meses de exibição.

Outro detalhe importante são os vidros espelhados onde o pessoal da produção tem 6 câmeras móveis para gravação das imagens do programa, mas estas não são simplesmente PTZs são câmeras com trilhos que podem se movimentar entre o corredor e passar entre as salas de acordo com o comando dos operadores no contexto do interesse do programa, que são as ações dos participantes. Nesse corredor a produção fica com roupas escuras e mantém procura falar muito baixo para que sua presença passe despercebida pelos participantes do programa.
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Pelo programa que vai ao ar o número de câmeras parece ser muito maior do 37, mas na realidade trata-se de uma excelente edição e controle de imagens, que com operadores atentos e experientes conseguem imagens realmente ótimas em praticamente todas as cenas. Além disso eles tem o recurso da edição que permite cortar ou editar qualquer falha que possa ocorrer durante o programa ou na captura da imagem. Sendo essas falhas imperceptíveis no programa apresentado. Algumas das câmeras possuem ainda a características de serem a prova d’água e estão instaladas no banheiro, dentro da piscina e da banheira, que são câmeras resistentes a imersão, e além disso com boa captação de imagens mesmo na situação de imersão.

Para quem já tentou instalar utilizar um sistema de áudio juntamente com o sistema de CFTV, e percebeu na prática o quanto é difícil obter um sistema de captação de áudio que tenha qualidade e tenha capacidade de captar o áudio requerido. No BigBrother o problema é o mesmo, por isso eles usam transmissores de rádio e microfones de lapela os quais todos os participantes são obrigados a utilizar 24horas por dia, para garantir que o áudio será corretamente captado. Esse é um problema comum do CFTV o áudio e muito mais difícil de ser capturado, e mesmo em outras áreas, como por exemplo no cinema muitas vezes para a geração do som de um tiro de revolver são utilizados tiros de canhões. Resumindo sem esses transmissores seria praticamente impossível capturar um áudio inteligível de todos os participantes do programa, pois o áudio é muito mais sensível ao ruído de ambiente, como outras pessoas falando ao mesmo tempo, muito mais direcional, e os dispositivos de captação são muito menos sensíveis do que as câmeras de vídeo.

A gravação também é feita em tempo real o que exige uma matriz de Hds ou a mídia que for para manter a gravação das imagens em tempo real durante todo o período do programa. Esta parte deve ter tido um investimento bastante alto também para garantir a confiabilidade e qualidade das imagens gravadas.

Outro ponto interessante é a instalação e cabeamento, que aparentemente é muito bem feito ou muito bem escondido e parece imperceptível aos participantes e ao também programa que vai ao ar, demonstrando profissionalismo dos técnicos responsáveis.

Veja o vídeo da reportagem do Fantástico que mostra a Sala de Controle e alguns pontos dos bastidores:

Video BigBrother Brasil no G1

Sistemas de CFTV Práticos x Expectativa

Como vimos os equipamentos utilizados no programa BigBrother, não são equipamentos comuns de CFTV, como os que encontramos disponíveis no mercado a preços extremamente acessíveis. Mas mesmo assim muitos usuários acabam na expectativa de que ao adquirem um sistema de CFTV eles terão recursos e qualidade próxima ao que é apresentado no programa, e por conseqüência quando tem seu sistema instalado acabam achando seu sistema é qualidade muito baixa ou que não foi instalado corretamente. Na prática seria possível montar um sistema com qualidade similar ou até mesmo superior ao sistema utilizado no programa, mas quem estaria realmente disposto a pagar por isso? Eu acredito que praticamente ninguém teria essa necessidade, e mesmo com uma capacidade de investimento deste tipo, seria realmente um desperdício de dinheiro com uma relação custo x beneficio muito baixa.

Um primeiro ponto de choque seria a resolução dos sistemas de CFTV convencionais. Em nosso país temos a febre das microcâmeras, que são aplicadas nos mais diversos instalações, sejam internas, externas, com sol, com iluminação artificial, em locais adequados, locais inadequados, etc. São usadas como um equipamento genérico capaz de se adaptar a qualquer aplicação. Normalmente empregando lentes pequenas entre 2.5mm e 4mm, as microcâmeras também acaba captando imagens com ângulos grandes entre 50 e 80 graus, porém com uma profundidade de campo restrita, ou seja detalhes de imagem muito pequenos, que impossibilitam a identificação de pessoas, verificação de ações, etc. No final das contas temos uma imagem gravada, mas a sua utilidade é em termos de segurança é praticamente nula. As microcâmeras tem resoluções médias entre 300 e 400 que é outro fator limitante de qualidade de imagem, que normalmente é seguido por um cabo coaxial que pode sofrer degradação no sinal de vídeo que será aplicado a entrada do canal da placa de captura ou DVR. Na gravação temos mais um nível de perda pois o temos uma gravação geralmente no modo CIF com resolução de 320×240 pixels, que reduz um pouco mais a resolução e após a compactação temos mais a perda inerente ao próprio processo de gravação.

Gravação no modo Time-Lapse
Os sistema de CFTV gravam no modo Time-Lapse ou seja modo de gravação com taxas de frames baixas, de forma a economizar espaço na mídia de gravação. As taxas de gravação mais utilizadas estão entre 1,75 FPS (Quadros Por Segundo) e 15 FPS. Quanto menor a taxa de gravação menor vai ser a atualização das imagens gravadas e quantidade de quadros disponíveis para acompanhamento. Para uma gravação em tempo real seria necessário uma taxa de 30FPS, que eleva muito o preço da placa de captura ou DVR, além de requerer um hardware muito mais robusto. Porém quanto maior a taxa de gravação maior o espaço em mídias (normalmente Hds) necessários para o armazenamento.

Sistema com Operadores
Na maioria das instalações convencionais de CFTV, não existe um operador efetivo do sistema, normalmente nem mesmo uma pessoa que tenha recebido um treinamento adequado das funções básicas de operação do sistema. Um sistema de CFTV não é formado somente pelos equipamentos, mas sim pela forma correta de utilizados, aliada com procedimentos padronizados e seguidos a risca. Sem uma pessoa responsável pelo sistema não serão feitas verificações das imagens, do funcionamento dos equipamentos, análise de movimentação, verificação de necessidades em relação ao sistema. No programa Bigbrother a edição é um dos pontos fortes.

Privacidade

Todos os participantes do programa ao assinarem seus respectivos contratos com a Globo, cedem seus direitos de imagem para a emissora, e portanto ali dentro do programa tudo pode ser monitorado e gravado, qualquer atitude, qualquer gesto, cena, conversa, enfim o participante abre mão do sua privacidade para garantir o sucesso do programa. No programa existem câmeras nos quartos, banheiros, dentro da piscina, dentro da banheira, enfim nos mais diversos e criativos locais, porém aqui fora esse tipo de instalação seriam totalmente invasivos e em situações práticas seria passível de processos de invasão de privacidade e desvio de conduta. Nossa constituição garante os direitos de imagem de cada cidadão, seja na rua, no trabalho ou dentro de casa. A instalação de câmeras em banheiros, vestiários, piscinas, além de câmeras escondidas, trata-se de espionagem é não é permitida por lei. Mas não se preocupe, câmeras de ambiente com objetivo de segurança, em locais normais são totalmente legalizadas.

Conclusão
Esta é a primeira parte do artigo Big Brother, que abordou de forma essencialmente superficial alguns aspectos técnicos dos equipamentos utilizados e do programa. Na segunda parte do artigo analisaremos outros detalhes relacionados ao BigBrother.

Marcelo Peres

mpperes@guiadocftv.com.br

Eng° Marcelo Peres

Eng° Eletricista Enfase em Eletrônica e TI, Técnico em Eletrônica, Consultor de Tecnologia, Projetista, Supervisor Técnico, Instrutor e Palestrante de Sistemas de Segurança, Segurança, TI, Sem Fio, Usuário Linux.

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